Página inicial Mercado Imobiliário Com autonomia aprovada, BC precisará ser mais transparente, diz Campos Neto

Com autonomia aprovada, BC precisará ser mais transparente, diz Campos Neto

Presidente do BC falou um dia após Câmara aprovar projeto que dá autonomia à instituição e que agora segue para sanção de Bolsonaro. Segundo ele, diretores terão mais liberdade.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira (11) que a instituição terá de ser mais transparente em um novo ambiente que virá com a aprovação do projeto que dá autonomia à instituição.

Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que prevê autonomia para o Banco Central. Como o texto já passou pelo Senado, foi encaminhado para sanção do presidente Jair Bolsonaro.

O projeto define que o presidente do Banco Central terá mandato de quatro anos, não coincidente com o do presidente da República. Um dos objetivos com a mudança é blindar o órgão de pressões político-partidárias.

A proposta, que tem o aval da equipe econômica, é debatida no Congresso desde 1991. O projeto aprovado entrou na lista de pautas prioritárias do governo, entregue pelo presidente Jair Bolsonaro aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Campos Neto falou em uma videoconferência para investidores internacionais. Ele declarou que o BC já vinha buscando melhorar sua comunicação com a sociedade nos últimos meses, e que, “nesse novo ambiente de autonomia”, o entendimento da diretoria é de que é preciso mais transparência, por exemplo, sobre os debates envolvendo a definição da taxa básica de juros (Selic).

Os debates acontecem nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Campos Neto lembrou que o BC informou, recentemente, que alguns diretores avaliaram que a taxa Selic, que desde agosto de 2020 se encontra na mínima histórica de 2%, já poderia ter subido.

“Pensamos que estávamos avançando em direção à autonomia em algum lugar no tempo, e que, quando isso acontecesse, os diretores também se tornariam autônomos no sentido de que haveria mais liberdade de falar, de expressar suas ideias e pensamos, que seria um bom início na preparação para isso [melhorar a comunicação]”, declarou o presidente do BC.

Prestação de contas

No projeto de autonomia aprovado pelo Congresso Nacional, o Banco Central terá de prestar contas a cada seis meses no Congresso Nacional e os dirigentes só poderão perder seu mandato na seguintes hipóteses:

  • a pedido do presidente ou do diretor;
  • em caso de doença que o incapacite para o cargo;
  • quando sofrer condenação, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, por improbidade administrativa ou em crime cuja pena leve à proibição de acesso a cargos públicos;
  • em caso de “comprovado e recorrente desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos do Banco Central do Brasil”. Nesta hipótese, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deve submeter ao presidente da República a proposta de exoneração, que estará condicionada à prévia aprovação por maioria absoluta do Senado.

Novo auxílio precisa de compensação

Durante o evento, o presidente do Banco Central repetiu que a eventual aprovação de uma nova rodada do auxílio emergencial, em discussão entre o governo e o Legislativo, precisaria vir acompanhada de compensações para evitar efeitos negativos na economia, e que essa definição influenciará a política da instituição para a taxa básica de juros, a Selic.

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